estava sonhando escrever aqui um post bem animado, sambado, deslumbrado e babado sobre o carnaval do rio de janeiro. porque, na verdade, sempre tive uma forte queda pela cena carnavalesca em lugares em que ela tem tradição. mas o fato é que noel rosa já nada mais é há muitos e muitos anos e hoje em dia ninguém se veste de pierrô nem se apaixona por colombina, e bloco de carnaval cool toca samba funkeado - isso quando não toca o tempo todo a mesma música, a própria, e se move va-ga-ro-sa-men-te, fazendo a gente se sentir dentro de um ônibus lotado tentando chegar à porta de saída antes que nossa parada fique para trás. além do mais, imaginava que o som da bateria faria verterem lágrimas dos meus olhos, mas era baixo e se perdia pela rua. valeu pela chance de vestir uma coroa prateada, de princesa mesmo, usar colar de havaiana e maquiagem de arabescos no rosto. impressionou a ausência absoluta de brigas, a famosa ordem no caos carioca. é certo que a falta é menos da realidade que da minha expectativa, como sempre é. está visto, teve bons momentos, mas acho que não volto mais. samba, suor e cerveja uma vez é o suficiente. mais samba, menos suor e igual número de cervejas continuam valendo.
7 respostas Até agora ↓
angelo // Fevereiro 27, 2009 às 19:48 |
‘no carnaval também concorro, meu bloco de morro vai cantar ópera; e na avenida entre mil apertos vocês vão ver gente cantando concerto!’
pra que discutir com madame, jão gilberto.
lúcia carolina // Março 1, 2009 às 15:48 |
Maria, eu me apaixonei no Carnaval. Foi bom. Bom bom. Mesmo.
Aqueles dias tiveram tudo, fim de amor, começo de amor, bateria, marchinhas, choro, riso. Até fiquei doente quando cheguei em Porto Alegre.
Dores gigantescas de sinusite, febre forte, mal estar de me paralisar, médico e agora uns remédios que me deixam com a cabeça tonta. Odeio a cabeça assim, gosto dela fresquinha.
Bom, certamente tu estava imaginando mais bonito e completo do que uma cidade grande e seu povo contemporâneos podem oferecer. Esta comoção, antiga na humanidade, é tipo uma escolha sentimental, por natureza. Tu tens, eu tenho também, outras pessoas. Mas tem que fuçar pra encontrar ela na realidade.
Mas pode te acontecer um Carnaval num final de tarde, num final de semana, num final de noite, em Porto Alegre, mesmo. Ouvir a bateria, o surdo marcando o teu coração, tu andando entre os ritmistas como pelo meio do mar, atravessando o Grande Segredo da Humanidade, a sala de máquinas do melhor brinquedo do mundo.
maria luíza sá e madureira // Março 1, 2009 às 23:24 |
carolina: como, por exemplo, o carnaval de te ler: assim, uma alegria de graça e cheia de graça, inusitada e bela.
Marcos de Carvalho // Março 3, 2009 às 18:33 |
Carnaval? Não, obrigado.
Sério, não entendo. Sem pedantismo. Devo ter algum bloqueio.
Temporal // Março 5, 2009 às 16:55 |
Ah, também adoro essa matemática. Mais samba, menos suor e igual número de cervejas.
Coloco meu vinil do poetinha e meu coração toca um samba. Melhor carnaval não há.
P.S. Quem é o artista dessa obra no início do blog?
maria luíza sá e madureira // Março 5, 2009 às 21:20 |
edward hopper.
a gente se conhece, temporal?
carina // Março 9, 2009 às 15:24 |
eh um temporal de sangue..
desculpe, nao resisti e tive que fazer essa piadinha cretina, so segui a narrativa.. e deu no que deu.
puts, ja ate esqueci o que ia comentar sobre o carnaval..
nao sei, nao tive carnaval este ano, merda.. deixa pra la.