para aqueles que ainda não se convenceram, eis alguns motivos para não frequentar aulas:
Entradas categorizadas em ‘contemporaneidade’
o doutor me apoia
Março 20, 2009 · 1 Comentário
Categorias: assuntos sérios · contemporaneidade · educação
pediu, levou
Outubro 27, 2008 · 2 Comentários
realmente, não se poderia esperar qualquer coisa menos que isso: grupos de artistas, pichadores e coladores de stickers andam atacando na sala vazia da bienal de são paulo. a sala é uma proposta da curadoria do evento em face das dificuldades financeiras enfrentadas nessa edição: protesto em forma de nada. o pessoal aproveitou e interveio, e ainda inteiramente grátis!
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cão sem dono
Outubro 27, 2008 · 4 Comentários
todo mundo sabe que sou uma depressiva persistente, logo não será surpresa minha apreciação de ‘cão sem dono’, o filme baseado no romance ‘até o dia em que o cão morreu’, do daniel galera. até agora não tinha visto, um pouco por querer ler o livro primeiro. esqueci disso e chamei na locadora ontem.
achei bem duro, mesmo com a suposta recuperação: depois de muito debater-se contra as circunstâncias, esquivando-se até do amor por uma mulher que de fato ama, o personagem vai trabalhar numa livraria, de uniforme e tudo. joga futebol, cultiva a vida familiar, dá nome ao cachorro. e alguns chamam a isso redenção! a recuperação não é senão a prova de que, no máximo, resta o ciclo: conformar-se, esforçar-se, cegar-se. até que enxerga-se de novo, e então rebelar-se, sofrer muito, chegar ao limite. por fim, conformar-se. o vazio não está na falta de opção mas na sua irrelevância. traduzir uma lauda a um real e cinqüenta, trabalhar numa linha de produção de peças automotivas, auxiliar os clientes a encontrar o livro nas prateleiras: qual é a diferença?
ao fim, a namorada do rapaz do filme liga e o convida a ir para barcelona. oh, viajar, o grande sonho dos meus ex-colegas da letras. ter a sensação de que se está indo a alguma parte. de fato, nada desprezível. tampouco há lugar em que se possa encontrar opção a essa vida de produzir e gastar. quem viveu num país onde o capitalismo deu certo sabe disso melhor que ninguém. o verdadeiro vazio é ser livre pra comprar a roupa que todo mundo compra.
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anticlássico – muito bom
Setembro 24, 2008 · Deixe um comentário
Texto, direção e bailarina: Alessandra Colasanti
Participação extraordinária: João Velho, como punk concertista
Duração: 1h10min
aqui temos o que se pode chamar de um espetáculo pós-moderno. que debocha disso, é claro.
alessandra colassanti interpreta uma bailarina saída de um quadro de degas que é muito entendida de algum assunto da mais alta importância acadêmica, apenas não estando claro exatamente qual. a peça é uma falsa palestra dessa bailarina, com participações de seu namorado, “um punk concertista” (palavras da divulgação), interpretado pelo filho do peréio com a ciça guimarães, joão velho (aquele a quem o pai não pagava pensão alimentícia, levando a mãe a colocá-lo na cadeia).
ri-se de gargalhar do começo ao fim. qualquer um que já tenha feito uma faculdade reconhece nessa paródia as bobagens que já foi obrigado a ouvir de algum professor, os trejeitos e maneirismos de “intelectual”, o jargão, as frases feitas etc.
fazendo um pastiche de foucault, derrida, deleuze, baudrillart, nietzche e quem mais couber, a palestrante fala sobre coisa nenhuma fazendo perguntas retóricas do tipo ‘o que é o discurso?’, contando histórias suas envolvendo personagens culturais importantes, como stockhausen (que compôs pra ela 4′33, a música de quatro minutos e trinta e três segundos do som que estiver acontecendo durante esse tempo), abusando de procedimentos meta-lingüísticos, chamando o namorado para tocar air guitar, passando vídeos num telão onde se vê multidões tirando foto da monalisa dentro do louvre , e por aí vai.
sacada muito pertinente a de alessandra colassanti, sem dúvida fruto de uma pesquisa considerável. o teatro brasileiro dá mostra de estar ligado no que acontece na cena cultural além de seus domínios. ‘anticlássico’ não deixa de ser um tipo de teatro engajado, ainda que nos nossos dias a expressão não pegue bem.
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cataplexia
Setembro 21, 2008 · 3 Comentários
nada me marcou nos últimos tempos com tamanha força quanto a descoberta de uma doença cujo portador desmaia quando sente. é a cataplexia. na verdade, trata-se de um relaxamento muscular tão extremo a ponto de deixar a pessoa imobilizada, ainda que consciente. emoções desencadeiam essa reação: raiva, alegria, medo, dor, orgasmo, riso, tristeza. qualquer emoção importante. a doença está intimamente associada a outra, a narcolepsia – pessoas que acordaram dentro de um caixão porque pareciam mortas, aquele horror todo.
então eu saio da cama de manhã um belo dia, vou até a sala e encontro uma surpresa do meu namorado, umas flores em cima da mesa, digamos. caio. fico paralisada por alguns minutos, depois levanto. acontece que não posso nem pensar no que acaba de ocorrer, temer que se repita, pois isso já desencadearia outro colapso. ter cataplexia exige o controle absoluto, o apagamento de tudo o que faz de alguém mais que um corpo dotado de força muscular e cognição.
é o ser humano do futuro. se é preciso reduzir-se a músculo e racionalidade, resta ser produtivo e útil. cataplexia, a solução final, a perfeita medida que teria salvo gregor samsa, da metamorfose, de virar inseto. acaba a opção inseto com essa doença, o parasitismo está erradicado. fraquejar é proibido. a engrenagem está salva.
uma problemática assim bem dos nossos dias, essa da cataplexia.
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