parece haver uma saturação de um modelo de questionamento da vida contemporânea nas artes, principalmente em se tratando de teatro, cinema e literatura. são sempre personagens ‘ordinários’, fazendo coisas do ‘cotidiano’, extremamente ’simples’. no meio de tudo isso, dizem as sinopses, as orelhas, as críticas, ’surge o inesperado’, ‘o não visto’. uma família absolutamente ‘comum’, ‘normal’, no dia-a-dia da qual aflora o drama da existência. a perversão da normalidade, os deslocamentos de sentido. enredos assim, papos assim, que eu mesma também canso de ter.
tá, e aí?
cortázar já tratava disso tudo com maestria desde os anos 50, alcançando talvez o ápice em ‘histórias de cronópios e de famas’.
tenho me debatido muito ultimamente pensando nessa problemática. sobre o que vale a pena falar hoje, aqui, nesse nosso mundo? de que forma? com que intenção? para quem? por quê?